
A proposta da Prefeitura de Angra dos Reis de instituir uma “Taxa de Turismo Sustentável” de R$ 95 por dia para cada visitante tem gerado forte reação entre moradores, trabalhadores e empresários do setor. O Projeto de Lei nº 39/2025, encaminhado pelo Executivo em regime de urgência, está sendo duramente criticado pela população, que vê na medida uma ameaça direta ao turismo e à economia da região.
De acordo com os moradores, a cobrança, que valeria tanto para turistas hospedados no continente quanto nas ilhas, vai desestimular visitantes a permanecerem em Angra dos Reis e Ilha Grande. “Cada turista que deixa de vir significa menos consumo, menos empregos e menos renda para milhares de famílias”, alertam os organizadores de uma petição online que pede o arquivamento do projeto.
O turismo é a principal engrenagem da economia local. Hotéis, pousadas, bares, restaurantes, quiosques, embarcações, guias, artesãos, comerciantes e até agricultores familiares que fornecem produtos para o setor dependem da chegada constante de visitantes. Para a população, a criação da taxa teria um efeito cascata devastador, reduzindo o movimento e, consequentemente, a renda de trabalhadores formais e informais.
“Somos a favor do turismo sustentável, mas não é penalizando o visitante que vamos alcançar esse objetivo. Há muitas outras formas de promover sustentabilidade sem afastar quem mantém nossa economia viva”, destaca um dos trechos da mobilização popular.
O temor dos moradores é que a taxa de R$ 95 por pessoa, cobrada diariamente, torne Angra dos Reis um destino menos atrativo em comparação a outras cidades turísticas do Brasil e do mundo, que competem pela mesma fatia de visitantes.
Para além da crítica ao impacto financeiro, a população também aponta a forma como o projeto foi apresentado: em caráter de urgência, sem debate público. O sentimento é de que a medida tenta ser aprovada sem que a sociedade tenha espaço para se manifestar.
Diante disso, cidadãos de Angra dos Reis, Ilha Grande e região têm se unido em uma campanha online contra a proposta. A petição já reúne assinaturas e pede que a Câmara Municipal rejeite o PL 39/2025.
“O futuro da nossa cidade depende do turismo. Se essa taxa for aprovada, não só turistas sairão perdendo, mas todos nós que vivemos do que eles movimentam”, reforça o movimento.
Com a pressão popular ganhando força, a expectativa agora é que os vereadores escutem a voz da população e barrem o projeto ainda em votação.