Se você está buscando o primeiro emprego, talvez nunca tenha ouvido falar em ATS, mas ele já pode ter sido o motivo pelo qual seu currículo foi descartado antes mesmo de chegar nas mãos de um recrutador.
Vamos falar sobre isso?
ATS é a sigla para Applicant Tracking System, ou Sistema de Rastreamento de Candidatos. Esses sistemas são como “robôs” que fazem uma primeira triagem automatizada dos currículos recebidos para uma vaga. Ou seja, antes do olhar humano, vem o filtro da inteligência artificial.
E como o ATS funciona?
De forma simples, ele compara as palavras-chave da vaga com as informações presentes no currículo. Se o seu currículo não tiver uma boa aderência com os termos que o sistema busca, ele simplesmente não avança, por mais talentoso(a) que você seja.
Aqui vai uma verdade incômoda: currículo feito no Canva, cheio de cores, emojis, colunas, ícones e fotos pode ser um desastre para o ATS.
Esses elementos visuais dificultam a leitura pelos sistemas, e muitos ATS não conseguem ler corretamente currículos com design elaborado. Linhas, tabelas, caixas de texto e imagens são interpretadas como barreiras ou simplesmente ignoradas, fazendo com que seu conteúdo nem seja considerado.
Ou seja, menos é mais.
Aqui vão algumas orientações práticas que eu sempre trago como mentora de carreira e coach de jovens talentos:
Nada de colunas ou designs mirabolantes. Um documento em Word ou PDF, com texto corrido e estrutura clássica, é o ideal.
Eles não são lidos pelo ATS e, muitas vezes, causam ruído na leitura.
Leia atentamente a descrição da vaga e identifique os termos mais usados (como “atendimento ao cliente”, “resolução de problemas”, “negociação”, etc.). Se você domina aquilo, use os mesmos termos no currículo.
Participou de um projeto voluntário? Organizou um evento no colégio? Atuou em coletivo de bairro? Isso também é experiência e pode (e deve!) ser descrito com foco em impacto e aprendizado.
Exemplo: “Experiência Profissional”, “Formação Acadêmica”, “Competências” são expressões que os sistemas reconhecem facilmente.
E se eu não tenho experiência formal?
Tudo bem! O padrão ATS não exige que você tenha trabalhado em uma grande empresa. O que ele precisa é de informações claras, objetivas e alinhadas à vaga.
Então, se você já fez trabalhos voluntários, projetos pessoais, estágios informais, monitoria, organização de eventos escolares ou universitários, tudo isso conta. O segredo é mostrar o que você fez, como fez e o que aprendeu com aquilo.
Num processo seletivo, principalmente nos primeiros empregos, o currículo precisa vencer a barreira do silêncio: ser claro, direto, verdadeiro e inteligente. Antes de se preocupar com o design, pense na estratégia. E lembre-se: o currículo é sua porta de entrada, não a vitrine do seu portfólio de design.
Quer um conselho de quem orienta jovens diariamente? Aposte na simplicidade com intenção. E, se precisar de ajuda, já sabe onde me encontrar.
Izabela SIlva é especialista em LinkedIn; siga no Instagram (clique aqui)