Rio de Janeiro Zona Norte
Criada na Pavuna, Nay Santana une gastronomia consciente e educação, dentro e fora do Instagram
Chef formada na prática, Nay Santana usa a gastronomia consciente como ferramenta de educação, inclusão e autonomia, compartilhando dicas acessíveis de cozinha e alimentação no Instagram
30/01/2026 23h27 Atualizada há 5 meses
Por: Digleison Silva
Foto: Reprodução

Criada na Pavuna, bairro da Zona Norte do Rio, Nay Santana construiu uma trajetória atravessada pela comida, pelo afeto e pela necessidade de transformar a própria realidade. Filha de professora e neta de duas merendeiras, cresceu em um ambiente onde a alimentação sempre esteve ligada ao cuidado, à educação e ao cotidiano familiar. Para ela, cozinhar sempre foi uma forma de encontro, aprendizado e fortalecimento.

Durante a infância, foi criada muito próxima das avós. A avó materna morava no mesmo quintal que sua mãe; a paterna se tornaria sua principal referência na cozinha. Nesse espaço doméstico, entre panelas e conversas, a comida passou a carregar memória, afeto e identidade.

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Foto: Reprodução/Instagram (a.nanadala)

Aos 15 anos, Nay perdeu a mãe. Depois de um período morando com o pai, saiu de casa aos 17 anos e passou a viver sozinha. Nesse momento, a comida deixou de ser apenas lembrança afetiva e passou a ser sustento. Cozinhar virou necessidade, aprendizado diário e caminho de autonomia, construído na prática, com erros, ajustes e consciência.

Com o passar dos anos, empreendeu em diferentes formatos. Teve empresa de marmitas congeladas, abriu restaurante e acumulou uma sólida experiência prática na área da alimentação. Paralelamente, iniciou a graduação em Nutrição, ampliando seu olhar sobre comida, saúde, corpo e território. Mais tarde, também ingressou no curso de Gastronomia, aprofundando ainda mais sua vivência.

Sua trajetória também atravessou outros países. A partir da Zona Norte do Rio, Nay viveu experiências internacionais, inclusive em Paris, onde cozinhou, atendeu clientes e ampliou seu repertório cultural, técnico e humano. Essas vivências reforçaram sua identidade profissional e o entendimento da comida brasileira como linguagem, memória e potência.

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Hoje, Nay Santana retorna à sua comunidade com um propósito claro. Ela é idealizadora de um laboratório gastronômico localizado logo na entrada da comunidade, pensado como espaço de criação, encontro e cuidado. Mais do que oferecer refeições, o projeto propõe experiências gastronômicas, cursos, trocas de saberes e suporte para quem deseja aprender, empreender ou se reconectar com a comida.

Cozinhar pensando em alguém: conhecimento que acolhe

Enquanto os cursos presenciais ainda estão em desenvolvimento, a internet se tornou um espaço essencial para continuar compartilhando conhecimento. No Instagram, Nay produz vídeos com dicas simples do dia a dia na cozinha, sempre falando de forma direta e próxima, como quem cozinha pensando em alguém. Quando corta um abacate, tempera um feijão ou organiza a marmita da semana, ela faz isso pensando em você.

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Esse cuidado cotidiano traduz o que Nay entende por sustentabilidade: uma prática possível, acessível e integrada à comunidade. Está no respeito aos ingredientes, aos saberes locais e às pessoas. Sua história pessoal, que é marcada por perdas, autonomia precoce, estudo, viagens e retorno às origens, atravessa cada receita, cada orientação e cada troca.

Na prática, o que Nay faz vai além da cozinha. Ela usa a comida para cuidar, ensinar e fortalecer pessoas, sempre de um jeito simples, possível e cheio de afeto.