Uma paciente com suspeita de câncer no colo do útero aguarda há mais de uma semana por transferência para uma unidade hospitalar com capacidade de tratamento na rede pública do Rio. O caso foi relatado à redação do portal É do Rio pela família, que denuncia falhas no atendimento desde o início dos sintomas, em janeiro deste ano.
De acordo com o relato, a paciente começou a sentir fortes dores abdominais no início de 2026. A família procurou uma clínica da família, onde o quadro foi inicialmente tratado como prisão de ventre.
Em seguida, a mulher foi encaminhada para a UPA do Mendanha (UPA Campo Grande I), unidade administrada pelo Governo do Estado, onde passou por uma lavagem intestinal. Apesar do procedimento, as dores continuaram e se intensificaram nos dias seguintes.
A família afirma que retornou diversas vezes à unidade básica de saúde, mas que apenas medicamentos laxantes foram prescritos. Um exame de tomografia chegou a ser solicitado, porém não foi realizado pela rede pública. Diante da demora, os familiares optaram por pagar pelo exame em uma unidade privada.
Segundo o resultado, foi identificada uma grande massa no abdômen da paciente. Mesmo com o laudo em mãos, a família relata que não houve encaminhamento imediato para tratamento especializado na rede pública.
Sem alternativa, a paciente foi levada ao CER Leblon, onde novos exames apontaram suspeita de câncer no colo do útero. Ainda assim, a unidade informou não ter estrutura para iniciar o tratamento.
Ela chegou a ser encaminhada ao Hospital Souza Aguiar para um procedimento que poderia aliviar as dores, mas, segundo a família, o atendimento não foi realizado.
Após retornar ao CER Leblon, a paciente recebeu alta, mesmo sem resolução do quadro clínico.
Sem conseguir atendimento adequado, a família decidiu interná-la novamente por conta própria na UPA do Mendanha, onde ela permanece aguardando transferência há mais de uma semana.
A família informou ainda que entrou na Justiça contra o Estado e obteve uma decisão liminar favorável para garantir a transferência. No entanto, até este sábado (22), a vaga não havia sido disponibilizada.
Ainda segundo o relato, a paciente foi informada de que poderia ser transferida para realização de hemodiálise, procedimento indicado para tratamento renal. A família questiona a conduta, já que o foco, segundo os laudos médicos, seria o acompanhamento oncológico.
Os familiares afirmam possuir exames e encaminhamentos para oncologia que não foram atendidos até o momento.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde e a Secretaria Estadual de Saúde ainda não se manifestaram sobre o caso até a última atualização desta reportagem.