O fotógrafo Wandré Silva, morador de Santa Cruz e integrante da equipe do Bangu Atlético Clube, denunciou ter sido vítima de racismo durante a semifinal da Série A2 do Campeonato Carioca, contra o Araruama, no último sábado (9), no Estádio Moça Bonita, Zona Oeste do Rio.
Segundo o clube, os insultos partiram da torcida adversária, que entoou cânticos racistas no segundo tempo da partida. Nas redes sociais, Wandré recebeu dezenas de mensagens de apoio e agradeceu ao carinho dos torcedores.
“Obrigado a todos que estão enviando mensagem. Não tive intenção de repercutir algo, mas precisava colocar pra fora esse acontecimento chato. É só mais um leão que precisamos matar dia após dia”, desabafou.
Em nota, o Bangu afirmou que repudia qualquer ato de racismo e informou que busca imagens e registros para identificar os responsáveis, com o objetivo de responsabilizá-los. O clube também destacou seu histórico pioneiro na luta contra o preconceito no futebol, lembrando que, em 1905, foi o primeiro a escalar um atleta negro — Francisco Carregal.
A instituição reforçou que está prestando total suporte ao fotógrafo e que ele vem sendo acolhido pela equipe.
Dentro de campo, o Bangu venceu o Araruama por 1 a 0 e garantiu vaga na final. Apesar de ter sido rebaixado da Série A no início do ano, o regulamento da Série A2 permite que a equipe retorne ao Cariocão já em 2026, caso seja campeã.
A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) informou que foi comunicada sobre o caso ainda durante o jogo. Apesar das buscas, nenhum autor foi identificado no momento.
“O delegado da partida relatará o episódio em documento, que será encaminhado ao Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro. A Federação lamenta e repudia veementemente o episódio preconceituoso, solidarizando-se com o profissional do Bangu”, publicou a FERJ em suas redes sociais.