A febre do álbum oficial da Copa do Mundo de 2026 mal começou e já está provocando cenas bizarras nos supermercados brasileiros. Quem anda pelos corredores de bebidas tem se deparado com um cenário curioso: dezenas de garrafas de Coca-Cola completamente sem rótulo nas prateleiras e geladeiras.
O motivo por trás desse "desaparecimento" de embalagens não é uma falha de fabricação, mas sim uma onda de pequenos furtos e vandalismo motivada pela obsessão em completar o álbum do Mundial.
A parceria tradicional entre a Coca-Cola e a Panini para a Copa do Mundo trouxe uma dinâmica que mexeu com os brios dos colecionadores mais ansiosos. No verso dos rótulos de garrafas selecionadas (como as de 600 ml e 2,5 litros), vêm impressas 14 figurinhas exclusivas que não podem ser encontradas nos pacotinhos comuns vendidos nas bancas.
Entre os cromos raros que completam uma seção especial do livro ilustrado estão craques internacionais como Lamine Yamal, Harry Kane e o zagueiro brasileiro Gabriel Magalhães.
Para não gastar comprando o refrigerante, algumas pessoas estão optando por arrancar os rótulos diretamente nas gôndolas, deixando o produto violado para trás.
O que parece uma "travessura" de colecionador tem gerado dor de cabeça e prejuízo real para o varejo. Por lei, estabelecimentos comerciais não podem vender produtos sem rótulo, pois a embalagem contém informações nutricionais, de validade e lote essenciais para o consumidor.
Como resultado, os mercados são obrigados a descartar as bebidas vandalizadas. Para conter a onda de prejuízos, gerentes de grandes redes e mercadinhos de bairro começaram a adotar táticas de guerra:
Uso de plástico filme: Envolver fardos inteiros ou garrafas individuais com camadas espessas de plástico para impedir o acesso rápido ao rótulo.
Fita adesiva reforçada: Colagem extra nas pontas do papel para evitar que ele seja puxado com facilidade.
Mudança de local: Retirada dos produtos promocionais das áreas de livre acesso, movendo-os para trás dos balcões ou perto dos caixas vigiados.
Em alguns casos extremos, pequenos comerciantes decidiram simplesmente suspender o estoque desses lotes específicos até que a febre diminua.
Em posicionamento oficial, a Coca-Cola lamentou o comportamento de parte do público e reforçou que a retirada dos rótulos sem a devida compra do produto viola as regras da campanha e configura vandalismo. A marca reiterou que apoia as medidas de segurança e fiscalização adotadas por cada ponto de venda para proteger as mercadorias.
Enquanto a Copa não chega, o comércio tenta se equilibrar entre o sucesso de vendas que a promoção traz e o custo de lidar com a criatividade — às vezes ilegal — dos torcedores.