Cultura Infância em Caixa
Cria de Baixada lança documentário sobre “adultização” de crianças e adolescentes
Cria da Baixada lança documentário “Infância em Caixa” sobre a adultização de crianças e adolescentes antes do tema viralizar com youtuber Felca
17/08/2025 21h27
Por: Redação

Antes mesmo do vídeo do youtuber Felca ganhar repercussão, a jornalista Nathalia Braga, de 28 anos, natural de São João de Meriti, já pesquisava os efeitos da adultização de crianças e adolescentes. Seu documentário, Infância em Caixa, começou em 2019 como trabalho de conclusão de curso na UFRJ.

Leia mais: Festa Literária do Oeste do Rio chega à 4ª edição em Santa Cruz

Continua após a publicidade

A produção foca na exploração comercial e pressão social sofrida por influenciadores mirins. Nathalia busca mostrar que o fenômeno vai além da fama e do dinheiro, incluindo questões como perda de ingenuidade, responsabilidades precoces e imitação de comportamentos adultos, temas pouco discutidos pelo público e pela mídia.

Adultização: exposição precoce a responsabilidades e comportamentos adultos

O conceito de adultização se refere à exposição de crianças e adolescentes a responsabilidades, linguagens e comportamentos típicos do universo adulto antes do desenvolvimento adequado. Isso retira direitos essenciais da infância, como o brincar e a ingenuidade, acelerando etapas de crescimento que deveriam ocorrer de forma natural.

Nathalia percebeu que a discussão sobre influenciadores mirins se concentra muitas vezes na fama ou na monetização, deixando de lado riscos como exploração comercial e sexualização precoce. Com isso, ela expandiu o debate, incluindo casos que passam despercebidos, como a sexualização de meninos, especialmente no universo do funk, onde jovens são incentivados a assumir posturas adultas para engajar o público.

Continua após a publicidade

Produção independente e olhar periférico na narrativa

O documentário foi construído de forma independente e majoritariamente por Nathalia, que acumulou funções de pesquisa, produção, filmagem e edição. A pandemia exigiu adaptações, cancelando algumas entrevistas presenciais, mas ela conseguiu registrar especialistas e familiares de influenciadores mirins.

O projeto buscou também representatividade ao priorizar profissionais negros, periféricos e LGBTQIA+, reforçando o olhar periférico e brasileiro na narrativa. Apesar das dificuldades financeiras, o documentário conseguiu chegar ao público, mesmo que a campanha de financiamento coletivo tenha alcançado apenas 10% da meta.

Continua após a publicidade

Reflexão e impacto social com a viralização do tema

Quando o vídeo de Felca viralizou, Nathalia acompanhou com surpresa a reação do público e percebeu que milhões de pessoas passaram a discutir o tema. Ela reforça que combater a adultização exige ação conjunta de famílias, escolas, plataformas e governo, além de denúncia e políticas públicas que protejam crianças e adolescentes.

O documentário já está disponível gratuitamente no YouTube, cumprindo seu papel de provocar reflexão e incentivar mudanças para que crianças possam se expressar sem abrir mão da proteção garantida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.