Brasil CURIOSIDADE
Por que a Havan não tem loja na cidade do Rio? Entenda a estratégia por trás da ausência na capital
Esqueça os mitos de boicote ou proibição legal; a explicação para a rede varejista passar longe da capital fluminense está puramente no seu modelo de negócio bilionário
06/06/2026 06h34
Por: Digleison Silva
Foto: Reprodução

Quem circula pelo interior do Estado do Rio ou por outros cantos do Brasil já se acostumou com a cena: uma réplica gigante da Estátua da Liberdade imponente na beira da estrada, anunciando uma megaloja da Havan. No território fluminense, cidades como Volta Redonda, Resende e São Pedro da Aldeia já contam com essas estruturas.

No entanto, uma dúvida intriga milhões de consumidores: por que a cidade do Rio de Janeiro, o segundo maior mercado consumidor do país, não tem nenhuma loja da Havan?

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Ao contrário dos boatos que circulam nas redes sociais sobre supostos "boicotes políticos" ou "acordos secretos" com grandes redes locais, a resposta é puramente matemática e estratégica. A Havan não está na capital fluminense porque o modelo de negócios da empresa foi desenhado para funcionar exatamente ao contrário.

Entenda os três pilares que explicam essa ausência estratégica.

1. O modelo de sucesso na "beira da estrada"

A Havan não se enxerga apenas como uma loja de departamentos; ela opera como um ponto de turismo de compras. A estratégia central da empresa do empresário Luciano Hang é capturar o fluxo rodoviário.

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2. A conta não fecha: escassez e custo de terrenos

Para colocar de pé uma filial padrão da Havan, a empresa exige terrenos massivos, que variam entre 10 mil e 20 mil metros quadrados. Essa área precisa ser plana, ter excelente visibilidade de acessos viários e espaço de sobra para um estacionamento monumental gratuito.

Na capital fluminense, encontrar um espaço com essas dimensões geográficas em áreas comerciais consolidadas é como achar uma agulha no palheiro. Onde existem terrenos desse porte (como na Barra da Tijuca ou em áreas da Zona Oeste), o valor do metro quadrado é proibitivo.

O modelo de negócios da Havan prevê um custo imobiliário baixo para garantir o retorno rápido do investimento (ROI). Pagar o preço do solo carioca inviabilizaria a margem de lucro dos produtos.

3. O "choque" com o Plano Diretor e o Urbanismo

Mesmo que a empresa decidisse pagar caro por um terreno na capital, haveria um grande obstáculo burocrático: a legislação urbana. O Plano Diretor e o Código de Obras da cidade do Rio de Janeiro possuem regras rígidas sobre o impacto visual, zoneamento e volumetria das construções.

A identidade visual da Havan — que mistura fachadas inspiradas na arquitetura neoclássica da Casa Branca americana com uma Estátua da Liberdade de quase 40 metros de altura — dificilmente conseguiria aprovação rápida e sem ressalvas nos órgãos de urbanismo da prefeitura carioca. A empresa prefere focar em municípios onde a liberação de licenças ambientais e construtivas ocorre de forma mais ágil.

Onde a Havan quer crescer no Rio?

A ausência na capital não significa que a rede desistiu do estado. A estratégia da Havan continua sendo cercar as grandes metrópoles pelas bordas. Os planos de expansão da rede miram cidades de médio porte do interior — como o projeto para Campos dos Goytacazes — e municípios estratégicos que funcionam como eixos de turismo ou polos industriais.

Para o consumidor carioca que deseja visitar a "loja da estátua", a alternativa continua sendo pegar a estrada rumo à Região dos Lagos ou ao Sul Fluminense, já que, no que depender da estratégia financeira da marca, os shopping centers tradicionais da capital continuarão sem a concorrência da gigante dos departamentos.