Política TRAMONTINA
Ricardo Couto planeja cortar até 6 mil cargos comissionados no Estado
Em entrevista, o governador em exercício do Rio, Ricardo Couto, afirma que pretende atingir 6 mil exonerações de cargos comissionados e detalha economia bilionária
07/06/2026 02h00
Por: Digleison Silva
Foto: Gil Ferreira/ Agência CNJ

O governador em exercício do Rio, desembargador Ricardo Couto, afirmou que pretende atingir a marca de pelo menos 6 mil exonerações de servidores ocupantes de cargos comissionados na estrutura do Estado. A declaração foi dada em entrevista ao jornal Estadão, concedida diretamente da presidência do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), local de onde o magistrado continua despachando diariamente desde que assumiu o comando do Executivo fluminense, no fim de abril.

Até o momento, a gestão interina já cortou 3.072 cargos não concursados. De acordo com o governador, a medida faz parte de um plano de enxugamento da máquina pública que, somado à revisão de contratos, gerou uma economia estimada em R$ 2,3 bilhões em pouco mais de dois meses.

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Críticas a comissionados e servidores "fantasmas"

Couto explicou que sua filosofia de gestão prioriza o funcionalismo de carreira e criticou o volume de indicações políticas herdado da administração anterior. Questionado se os cargos cortados abrigavam funcionários fantasmas, o governador não descartou o rótulo.

"Se são pessoas que não estão produzindo, não estão vindo, seriam fantasmas. Isso aí no jargão popular. Eu procuro não rotular, mas se se encaixam nesse perfil, teriam esse enquadramento pejorativo, sim", declarou.

O governador citou como exemplo de distorção a existência de uma Subsecretaria de Gastronomia dentro do Gabinete Civil, que foi extinta por falta de justificativa prática. Ele defende que os recursos poupados com o corte de comissionados sejam redirecionados para valorizar categorias defasadas, como os professores da rede estadual, cujo salário inicial gira em torno de R$ 2.500 a R$ 3 mil.

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Postura diante de ameaças e retaliações

A demissão em massa de milhares de indicados políticos gerou atritos nos bastidores com lideranças partidárias do estado. Questionado diretamente se teme sofrer ameaças ou retaliações políticas ao contrariar tantos interesses de grupos tradicionais do Rio de Janeiro, o desembargador foi direto e minimizou os riscos associados à cadeira de governador:

"Magistrado não pode ter medo", sentenciou Couto.

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Bloqueio de R$ 1,4 bilhão do Rioprevidência no Banco Master

Outro ponto central da entrevista foi a segurança financeira do fundo de previdência dos servidores estaduais. Ricardo Couto revelou que o governo estadual conseguiu mapear e bloquear R$ 1,4 bilhão de um montante total de R$ 3 bilhões que o Rioprevidência havia investido no Banco Master. A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) também aportou R$ 220 milhões na operação de blindagem.

O governador demonstrou otimismo em recuperar pelo menos 80% dos ativos totais e garantiu que os valores foram congelados para evitar novas movimentações na instituição financeira.

Futuro do comando do Estado depende do STF

O atual chefe do Executivo fluminense estimou que deve permanecer no cargo por um período de 60 a 90 dias. A continuidade de seu mandato interino depende do julgamento de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que discute as regras de sucessão em caso de dupla vacância.

O processo está temporariamente paralisado por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, e o desfecho deve ocorrer após o recesso do Judiciário em julho. Caso o STF adote o entendimento de que o novo presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), deve assumir o governo, Couto retornará integralmente às funções no Tribunal de Justiça.