A TrensRJ, nova operadora responsável pelo sistema ferroviário de passageiros do Rio e de outros 11 municípios, iniciou suas operações com um diagnóstico preocupante sobre as condições da rede. Entre os problemas identificados estão falhas no sistema de sinalização, furtos de equipamentos essenciais para a circulação dos trens e a atuação do crime organizado em estações da malha ferroviária.
Segundo a empresa, algumas áreas da operação ainda dependem de comunicação via rádio entre maquinistas e o Centro de Controle Operacional para autorização da circulação dos trens, já que o sistema automatizado não funciona integralmente em todos os ramais e extensões.
Como uma das primeiras medidas adotadas pela nova gestão, a TrensRJ iniciou o monitoramento por drones em 97 pontos considerados sensíveis da malha ferroviária.
Os equipamentos serão utilizados em locais com histórico de furtos, roubos e vandalismo, além de áreas que concentram estruturas fundamentais para o funcionamento do sistema, como subestações de energia, redes aéreas e pátios de manobra.
A expectativa é aumentar a vigilância e reduzir ocorrências que afetam diretamente a operação dos trens e causam atrasos aos passageiros.
Outro dado que chamou atenção no levantamento realizado pela operadora é a existência de 14 estações localizadas em áreas sob influência direta do crime organizado.
A empresa não detalhou quais são essas estações, mas informou que a situação representa um desafio para a manutenção dos equipamentos e para a segurança da operação ferroviária.
O Governo do Estado anunciou reforço no policiamento durante o período de transição entre a antiga concessionária SuperVia e a nova operadora.
De acordo com a Polícia Militar, o Grupamento de Policiamento Ferroviário (GPFer) recebeu reforço de agentes de outros batalhões para ampliar o patrulhamento em estações, plataformas e composições.
A medida busca aumentar a sensação de segurança dos passageiros e proteger equipamentos essenciais para o funcionamento da rede ferroviária.
O diagnóstico elaborado pela TrensRJ também identificou a existência de 178 ferros-velhos localizados em um raio de até dois quilômetros dos trilhos.
Segundo a operadora, parte desses estabelecimentos é suspeita de receber materiais furtados da infraestrutura ferroviária, como cabos, peças metálicas e componentes dos trilhos.
As informações foram encaminhadas à Polícia Civil, responsável por investigar possíveis crimes de receptação.
Um dos casos citados pela nova operadora ocorreu em outubro de 2025, quando um trem descarrilou em Madureira, no ramal Belford Roxo.
De acordo com as investigações, o acidente foi provocado após o furto de dezenas de grampos responsáveis por fixar os trilhos. Parte do material foi posteriormente recuperada pela polícia em um estabelecimento comercial da Zona Norte do Rio de Janeiro.
O episódio é apontado como um exemplo dos impactos que os furtos de equipamentos ferroviários podem causar à segurança da operação e à rotina dos passageiros.
A chegada da TrensRJ marca uma nova etapa para o transporte ferroviário fluminense. No entanto, o diagnóstico inicial revela que a empresa terá pela frente desafios relacionados à segurança, manutenção da infraestrutura e combate aos furtos que afetam a circulação dos trens.
A expectativa é que as medidas anunciadas, incluindo o uso de drones e o reforço do policiamento, contribuam para melhorar a operação e reduzir os problemas enfrentados diariamente pelos passageiros.