O fenômeno El Niño já começou oficialmente e pode se transformar em um "Super El Niño" nos próximos meses, segundo um novo relatório divulgado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A agência estima uma probabilidade de 63% de que o evento alcance intensidade muito forte, colocando-o entre os mais significativos registrados desde 1950.
De acordo com os meteorologistas, o fenômeno tem potencial para alterar padrões climáticos em diversas partes do mundo, aumentando a ocorrência de ondas de calor, secas, enchentes e tempestades extremas. Os efeitos também devem ser sentidos no Brasil.
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.
Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e influencia diretamente a formação de chuvas e temperaturas em várias regiões do planeta. Quando o fenômeno atinge níveis muito elevados, passa a ser chamado popularmente de "Super El Niño".
Segundo a NOAA, alguns modelos meteorológicos indicam que as temperaturas do Pacífico podem ultrapassar com folga o limite necessário para classificar o evento como um dos mais fortes já registrados.
O alerta dos cientistas vai além do próprio fenômeno.
O planeta já atravessa um período de aquecimento global impulsionado pela emissão de gases de efeito estufa. A combinação entre o aquecimento provocado pelas atividades humanas e um Super El Niño pode intensificar ainda mais os eventos climáticos extremos.
Especialistas afirmam que esse cenário aumenta significativamente a possibilidade de novos recordes globais de temperatura nos próximos anos.
A NOAA avalia que o fenômeno poderá contribuir para que os próximos anos superem as marcas históricas recentes de calor registradas em todo o planeta.
Na América do Sul, os impactos variam de acordo com a região.
Historicamente, eventos fortes de El Niño costumam provocar aumento das chuvas no sul do continente, enquanto algumas áreas do Norte enfrentam períodos mais secos.
No Brasil, os efeitos mais comuns incluem alterações nos regimes de chuva, temperaturas acima da média e maior ocorrência de eventos climáticos extremos.
O Sudeste brasileiro, incluindo o estado do Rio de Janeiro, costuma registrar temperaturas mais elevadas durante episódios intensos do fenômeno.
Além das mudanças nos padrões de chuva, o calor excessivo é uma das principais preocupações associadas ao fenômeno.
Com mais energia disponível na atmosfera, aumentam as chances de ondas de calor prolongadas, que podem impactar a saúde da população, elevar o consumo de energia elétrica e agravar problemas relacionados à seca em algumas regiões.
Os cientistas alertam que o cenário atual é diferente dos eventos anteriores, já que o planeta está mais quente do que em qualquer outro período em que um Super El Niño foi registrado.
Especialistas também apontam que o fenômeno pode favorecer a ocorrência de eventos climáticos severos em diferentes partes do mundo.
Entre os possíveis impactos estão chuvas intensas, enchentes, secas prolongadas, incêndios florestais e ondas de calor mais fortes.
Embora nem todos os efeitos possam ser previstos com precisão, os pesquisadores afirmam que o cenário exige atenção das autoridades e monitoramento constante das condições meteorológicas.
Os eventos classificados como Super El Niño são relativamente raros.
Os episódios mais conhecidos ocorreram entre 1982 e 1983, 1997 e 1998 e, mais recentemente, entre 2015 e 2016.
Agora, os modelos climáticos indicam que o fenômeno atual pode atingir intensidade semelhante ou até superior à registrada em alguns desses períodos.
Caso as previsões se confirmem, o mundo poderá enfrentar mais um capítulo de eventos climáticos extremos em um momento em que as temperaturas globais já estão em níveis historicamente elevados.