Rio de Janeiro POSSÍVEL GREVE
Ônibus podem parar no Rio? Rodoviários entram em estado de greve após rejeitar proposta salarial
Categoria rejeitou contraproposta apresentada pelas empresas de ônibus e mantém possibilidade de paralisação caso não haja avanço nas negociações
11/06/2026 20h12
Por: Digleison Silva
Foto: Tania Rêgo/Agência Brasil

Motoristas do sistema de ônibus do Rio entraram em estado de greve após rejeitarem a proposta salarial apresentada pelo sindicato patronal Rio Ônibus. A decisão foi tomada durante uma assembleia geral realizada nesta quinta-feira (11), que reuniu cerca de 500 trabalhadores na sede do Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro.

Com a medida, os profissionais permanecem mobilizados e não descartam uma paralisação nos próximos dias caso as negociações não avancem. Uma nova proposta deverá ser apresentada pelo setor patronal até o fim do mês.

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O que significa estado de greve?

Apesar da preocupação entre os passageiros, o estado de greve não significa que os ônibus vão parar imediatamente.

Na prática, trata-se de um alerta formal da categoria. Os trabalhadores continuam exercendo suas atividades normalmente, mas permanecem mobilizados e podem decidir por uma paralisação caso não haja acordo nas negociações.

A greve, por outro lado, ocorre quando há interrupção parcial ou total dos serviços como forma de pressão para o atendimento das reivindicações.

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Categoria considera reajuste insuficiente

Segundo o Sindicato dos Rodoviários, a proposta apresentada pelo Rio Ônibus prevê reajuste de 4,39%, índice baseado na inflação acumulada medida pelo IPCA até abril deste ano.

Caso fosse aceita, o salário dos motoristas de ônibus convencionais passaria de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31, um aumento de R$ 150,15.

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Já os motoristas de ônibus articulados da categoria E receberiam reajuste de R$ 180,17, elevando os vencimentos de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35.

O auxílio-alimentação também seria reajustado, passando de R$ 660 para R$ 689.

Para a categoria, entretanto, os valores não atendem às necessidades dos trabalhadores diante das condições atuais de trabalho.

Rodoviários cobram melhores salários e mudanças nas condições de trabalho

De acordo com o sindicato, os profissionais enfrentam jornadas que podem ultrapassar 14 horas diárias, além de conviverem com episódios frequentes de violência urbana durante o exercício da profissão.

Entre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores estão:

• Salário de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados;

• Salário de R$ 4 mil para os demais motoristas;

• Tíquete-alimentação de R$ 1 mil;

• Jornada de trabalho no modelo 5x2;

• Contratação via CLT para trabalhadores do sistema BRT;

• Fim dos contratos temporários;

• Manutenção do passe livre para os profissionais;

• Plano de saúde e odontológico;

• Indenização referente ao intervalo de almoço.

A categoria também defende a alteração da data-base das negociações para o mês de março.

Nova proposta será analisada até o fim do mês

Segundo o Sindicato dos Rodoviários, o Rio Ônibus deverá apresentar uma nova contraproposta até o dia 29 de junho.

Após a apresentação, os trabalhadores voltarão a se reunir para avaliar os termos e decidir os próximos passos do movimento.

Até lá, os ônibus seguem circulando normalmente na cidade.

Passageiros acompanham negociações com atenção

O impasse ocorre em um momento em que milhões de passageiros dependem diariamente do transporte coletivo para se deslocar pela capital e Região Metropolitana.

Caso não haja acordo entre as partes, a possibilidade de uma paralisação passa a preocupar usuários que utilizam o sistema para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais.

Por enquanto, a orientação é que a população acompanhe os comunicados oficiais do sindicato e das empresas para eventuais atualizações sobre as negociações.