Motoristas do sistema de ônibus do Rio entraram em estado de greve após rejeitarem a proposta salarial apresentada pelo sindicato patronal Rio Ônibus. A decisão foi tomada durante uma assembleia geral realizada nesta quinta-feira (11), que reuniu cerca de 500 trabalhadores na sede do Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro.
Com a medida, os profissionais permanecem mobilizados e não descartam uma paralisação nos próximos dias caso as negociações não avancem. Uma nova proposta deverá ser apresentada pelo setor patronal até o fim do mês.
Apesar da preocupação entre os passageiros, o estado de greve não significa que os ônibus vão parar imediatamente.
Na prática, trata-se de um alerta formal da categoria. Os trabalhadores continuam exercendo suas atividades normalmente, mas permanecem mobilizados e podem decidir por uma paralisação caso não haja acordo nas negociações.
A greve, por outro lado, ocorre quando há interrupção parcial ou total dos serviços como forma de pressão para o atendimento das reivindicações.
Segundo o Sindicato dos Rodoviários, a proposta apresentada pelo Rio Ônibus prevê reajuste de 4,39%, índice baseado na inflação acumulada medida pelo IPCA até abril deste ano.
Caso fosse aceita, o salário dos motoristas de ônibus convencionais passaria de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31, um aumento de R$ 150,15.
Já os motoristas de ônibus articulados da categoria E receberiam reajuste de R$ 180,17, elevando os vencimentos de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35.
O auxílio-alimentação também seria reajustado, passando de R$ 660 para R$ 689.
Para a categoria, entretanto, os valores não atendem às necessidades dos trabalhadores diante das condições atuais de trabalho.
De acordo com o sindicato, os profissionais enfrentam jornadas que podem ultrapassar 14 horas diárias, além de conviverem com episódios frequentes de violência urbana durante o exercício da profissão.
Entre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores estão:
• Salário de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados;
• Salário de R$ 4 mil para os demais motoristas;
• Tíquete-alimentação de R$ 1 mil;
• Jornada de trabalho no modelo 5x2;
• Contratação via CLT para trabalhadores do sistema BRT;
• Fim dos contratos temporários;
• Manutenção do passe livre para os profissionais;
• Plano de saúde e odontológico;
• Indenização referente ao intervalo de almoço.
A categoria também defende a alteração da data-base das negociações para o mês de março.
Segundo o Sindicato dos Rodoviários, o Rio Ônibus deverá apresentar uma nova contraproposta até o dia 29 de junho.
Após a apresentação, os trabalhadores voltarão a se reunir para avaliar os termos e decidir os próximos passos do movimento.
Até lá, os ônibus seguem circulando normalmente na cidade.
O impasse ocorre em um momento em que milhões de passageiros dependem diariamente do transporte coletivo para se deslocar pela capital e Região Metropolitana.
Caso não haja acordo entre as partes, a possibilidade de uma paralisação passa a preocupar usuários que utilizam o sistema para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais.
Por enquanto, a orientação é que a população acompanhe os comunicados oficiais do sindicato e das empresas para eventuais atualizações sobre as negociações.