Desde o início da cobertura da Copa do Mundo, o tribunal da internet tem trabalhado em turnos dobrados para tentar desqualificar o projeto da CazéTV de todas as formas possíveis. A cada nova conquista de audiência do canal, uma nova narrativa de boicote é testada pelas mídias tradicionais ou por setores incomodados com a descentralização dos direitos de transmissão.
Primeiro, o argumento central era o delay do streaming em relação à TV aberta. Não deu certo, o público não se importou. Depois, a crítica migrou para supostos "narradores ruins" e piadas fora de hora; o engajamento continuou batendo recordes. Em seguida, acionaram o corporativismo sob o pretexto de que "os amigos do Cazé não são jornalistas diplomados", um preciosismo técnico que a audiência ignorou solenemente.
A bola da vez agora é o debate sobre o patrocínio das casas de apostas (as bets). Embora o mercado de apostas esportivas seja o principal motor financeiro de praticamente todas as camisas de futebol do país e preencha quase 100% dos intervalos comerciais das emissoras de TV tradicionais, o tema misteriosamente virou um "escândalo ético exclusivo" quando veiculado nas transmissões de Casimiro Miguel.
A obsessão em atacar o modelo de negócios da emissora digital acabou cruzando a linha da crítica comercial e entrando no terreno do puro desrespeito humano. Um exemplo claro dessa perda de limites é a imagem que circula nas redes sob o selo de sátira do "The piauí Herald".
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A peça gráfica estampa uma montagem do streamer Casimiro utilizando um traje de proteção radiológica em um cenário de laboratório isolado, acompanhada da manchete: "Depois de bets, CazéTV fecha contrato para divulgar Césio-137".
Aqui, o suposto "humor ácido" falha miseravelmente ao usar uma das maiores tragédias humanitárias do Brasil como escada para uma piada corporativa. O acidente radiológico com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987, não é uma referência pop ou uma estética de série de TV para ser banalizada. Estamos falando de um episódio trágico que deixou mortos, centenas de contaminados crônicos e marcas profundas de preconceito e sofrimento que as famílias das vítimas carregam até os dias de hoje.
Tentar equiparar a polêmica comercial das bets ao elemento que dizimou vidas e destruiu o futuro de dezenas de brasileiros é de uma falta de empatia e sensibilidade assustadora. É o reflexo de uma internet adoecida pela necessidade de engajamento, onde o sofrimento histórico alheio vira um mero detalhe na tentativa de cancelar um concorrente de sucesso.
Apesar do esforço coordenado para criar crises artificiais semana após semana, o resultado prático dessas campanhas é nulo. Enquanto os críticos refinam seus ataques de mau gosto, a audiência da CazéTV continua quebrando recordes mundiais, grandes marcas globais continuam assinando contratos de patrocínio e novos direitos de transmissão são adquiridos.
O modelo de negócios se provou lucrativo, mas, acima de tudo, humano e popular. A verdade nua e crua é que nenhuma campanha difamatória na internet — muito menos as que apelam para o desrespeito a memórias dolorosas do nosso povo — será capaz de frear um projeto que o público brasileiro já abraçou por completo.