A greve dos rodoviários no município do Rio de Janeiro foi oficialmente suspensa após uma decisão tomada em assembleia realizada no fim da tarde desta quarta (1º), pondo fim a três dias de paralisação que desafiaram a mobilidade urbana da capital. A diretoria do sindicato dos trabalhadores entrou no encontro defendendo que interromper a greve era a alternativa mais estratégica para a categoria neste momento.
Dois fatores principais pesaram para que os motoristas e cobradores decidissem reabrir as garagens. O primeiro deles foi a pressão jurídica exercida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), que aumentou a exigência de frota mínima nas ruas de 50% para 80% durante o movimento grevista. O município conta com cerca de 3.600 coletivos — o que significava a obrigação de colocar 2.880 carros circulando. Para se ter uma ideia do impasse, às 7h da manhã desta quarta, o Rio Ônibus informava que apenas 1.650 veículos conseguiram sair dos terminais.
O segundo ponto decisivo foi o resultado da audiência de conciliação realizada também nesta quarta-feira. No encontro, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) costuraram um pedido formal para que o sindicato desse uma trégua até a próxima rodada oficial de negociações, já agendada para a próxima segunda-feira, 6 de julho.
Em contrapartida à suspensão do movimento, as empresas de ônibus cederam em pontos importantes da pauta imediata:
Garantia de não desconto dos dias em que os trabalhadores ficaram parados;
Preservação integral do vale-refeição do período da greve;
Compromisso formal de apresentar uma proposta de reajuste salarial superior aos 4,39% oferecidos inicialmente.
Apesar de uma forte resistência inicial de uma ala da categoria, que pedia a continuidade do movimento nas ruas, o presidente do sindicato abriu a votação após pouco mais de uma hora de debates, e a maioria dos trabalhadores aprovou o retorno às atividades.
Os rodoviários retornam ao trabalho normalmente nesta quinta-feira (2). No entanto, o sindicato alertou que a categoria permanece em "estado de greve", o que serve de aviso de que os ônibus podem parar novamente caso as empresas não melhorem a proposta na segunda-feira. Veja o abismo entre o que é exigido e o que foi oferecido até agora:
| Pauta de Reivindicações | Exigência dos Rodoviários | Oferta Atual dos Patrões |
| Reajuste Salarial | 17% de aumento | 4,39% (com promessa de subir o valor) |
| Piso (BRT) | R$ 5.000,00 | A definir na mesa |
| Piso (Demais Linhas) | R$ 4.000,00 | A definir na mesa |
| Vale-Alimentação | R$ 1.000,00 | Sem contraproposta inicial |
| Benefícios | Inclusão de Plano de Saúde | A negociar |
| Jornada de Trabalho | 7 horas e meia com mudanças na escala | Sob análise |