
A cidade do Rio de vive momentos de incerteza sobre o funcionamento do transporte público nas próximas horas. Uma nova audiência de conciliação realizada nesta segundA (6) no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) terminou sem acordo entre rodoviários e as empresas de ônibus, aumentando o risco do retorno da paralisação.
Durante a sessão, o Rio Ônibus (sindicato patronal) ofereceu um reajuste salarial de 4,5% — um aumento de apenas 0,11% em relação à proposta anterior de 4,39%. A liderança dos rodoviários classificou a mudança como uma "afronta" e convocou os trabalhadores para uma assembleia nesta terça (7), onde os rumos e a possibilidade de uma nova greve serão definidos. Por enquanto, os coletivos circulam normalmente.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, a insatisfação da categoria vai além dos números do contracheque e esbarra na dignidade do trabalhador no dia a dia.
"Imagina o rodoviário ter que sair de casa com uma garrafa de 2 litros de água na bolsa, isso é inadmissível. É importante o salário, queremos aumento, mas queremos também melhores condições de trabalho. Qualquer ponto de ônibus não tem banheiro, não tem lugar para se alimentar", desabafou o presidente.
Outro ponto crítico é a cesta básica. O sindicato denuncia que as empresas estão aplicando penalidades por faltas justificadas apenas para retirar o benefício dos motoristas.
Por outro lado, o Rio Ônibus justifica a dificuldade em apresentar propostas maiores alegando que 11 empresas do setor na capital estão em processo de recuperação judicial, o que tem afetado drasticamente o caixa das companhias. Diante do impasse, o desembargador Gustavo Tadeu Alkmim sugeriu um aumento de 5% e demonstrou preocupação com o retorno dos protestos que travaram o Centro do Rio na semana passada.
A categoria está em "estado de greve" desde o dia 1º de julho, após uma paralisação de três dias que começou na semana anterior (29). Na ocasião, o movimento causou reflexos graves na mobilidade urbana: menos de mil ônibus foram às ruas no primeiro dia e motoristas chegaram a atravessar veículos nas pistas do Centro da cidade, obrigando passageiros a descer e gerando nós no trânsito. O sindicato das empresas também relatou o vandalismo de cerca de 50 coletivos durante os atos.
A pauta de reivindicações da categoria inclui reajustes salariais e benefícios sociais. Veja os principais pontos:
Salários: R$ 5 mil para motoristas de articulados (BRT) e R$ 4 mil para os demais motoristas;
Contratação: Fim dos contratos temporários e transição para o regime CLT definitivo no BRT;
Alimentação: Tíquete-alimentação de R$ 1.000 e regras mais justas para a manutenção da cesta básica;
Escala: Jornada de trabalho no modelo 5x2;
Benefícios: Manutenção do passe livre, plano de saúde, plano odontológico e indenização dos 30 minutos do intervalo de almoço.
O portal É do Rio acompanha em tempo real a assembleia desta terça-feira (7) e trará atualizações imediatas sobre a decisão da categoria e os impactos no transporte da capital.