
Um clima de profunda dor, indignação e cobrança por justiça marcou a despedida do inspetor da Polícia Civil Carlos Alberto Freire Neto, de 35 anos, nesta quinta (9). O policial foi cremado no Cemitério Parque da Colina, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, após ser vítima de um ataque brutal e covarde na última quarta-feira (8), nas proximidades da Avenida Brasil.
Durante o cortejo, o secretário de Estado de Polícia Civil, delegado Delmir Gouveia, expressou forte revolta com a dinâmica do crime. O chefe da instituição revelou um ato heroico e desesperado de sobrevivência do agente: mesmo após ter sido baleado na cabeça, Carlos Alberto ainda reuniu forças para conduzir a viatura por alguns metros, atravessar as pistas da Avenida Brasil e buscar socorro com colegas de farda que passavam pelo local no momento.
O secretário enfatizou que não houve confronto ou troca de tiros. Os policiais foram emboscados pelas costas enquanto estavam dentro do veículo, no acesso a uma comunidade, já retornando para a via expressa. A viatura utilizada era descaracterizada, mas ostentava placas oficiais, o que, segundo as investigações, deixa claro que os criminosos sabiam que se tratava de policiais civis.
A Polícia Civil informou que as investigações avançaram rapidamente e alguns dos envolvidos no atentado já foram devidamente identificados. O secretário garantiu que a instituição dará uma resposta firme e rigorosa dentro dos limites da lei.
Gouveia também enviou um aviso direto a criminosos de outras regiões ou lideranças da mesma facção que cogitarem dar abrigo ou esconder os autores do homicídio. O delegado afirmou que qualquer um que colabore com a fuga dos assassinos sofrerá ações duras da Polícia Civil, ressaltando que as forças de segurança entrarão em qualquer comunidade do estado para efetuar as prisões, contando com o apoio da Polícia Militar.
Antes do rito de cremação, o corpo do inspetor foi velado no salão principal da Câmara Municipal de Niterói, cidade onde ele morava. O caixão deixou o prédio legislativo sob uma intensa salva de palmas de familiares, amigos e dezenas de agentes de diversas unidades que compareceram para prestar solidariedade.
O caixão foi transportado em cortejo por um caminhão do Corpo de Bombeiros, escoltado por um longo comboio de viaturas civis até o cemitério em Pendotiba. No momento do sepultamento, um helicóptero da Polícia Civil sobrevoou a área e lançou pétalas de rosas sobre as equipes e familiares, gerando forte comoção.
Carlos Alberto Freire Neto ingressou nos quadros da Polícia Civil em dezembro de 2023. Com apenas dois anos e meio de corporação, ele já era amplamente reconhecido pelo comprometimento com o serviço e, desde maio, estava lotado na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). O inspetor deixa esposa e dois filhos.