A tempestade política provocada pela Polícia Federal no Rio de Janeiro deve ganhar ainda mais força nos próximos dias. O Supremo Tribunal Federal (STF) e a PF já articulam os bastidores para deflagrar novas fases da Operação Unha e Carne, com foco exclusivo em comprovar a ligação de deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) com milícias e facções criminosas.
De acordo com informações apuradas pelo colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, o alvo principal das próximas etapas são parlamentares de centro-direita. Entre os nomes que estão na mira dos investigadores, figuram integrantes do mesmo grupo político do senador Flávio Bolsonaro (PL), que atualmente articula sua pré-candidatura à Presidência da República.
A engrenagem da Unha e Carne vem avançando rápido. Até o momento, a PF já colocou seis fases na rua. A mais recente delas, deflagrada na última terça-feira (7), sacudiu a Baixada Fluminense com a prisão em flagrante do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), pego com um fuzil calibre .556 dentro do carro. Canella havia deixado a prefeitura recentemente para concorrer a uma vaga no Senado.
Antes disso, na quinta fase da operação realizada na semana anterior, os agentes federais miraram o empresário Fernando Trabach Gomes, apontado como dono de uma rede de postos de combustíveis que movimentou R$ 7,6 bilhões em um megaesquema de lavagem de dinheiro com a conivência de políticos.
Deflagrada originalmente no final de 2025, a Operação Unha e Carne tinha um escopo bem mais restrito: descobrir quem estava vazando informações sigilosas de operações policiais para lideranças do Comando Vermelho (CV). Um dos primeiros alvos a sofrer buscas naquela época foi o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Alerj.
Contudo, o material apreendido e o cruzamento de dados financeiros mudaram o rumo das investigações. A PF percebeu que a infiltração do crime organizado no Estado ia muito além do vazamento de operações e envolvia o financiamento de campanhas, loteamento de cargos públicos e a blindagem política de territórios dominados tanto pelo tráfico quanto por milicianos.
O portal É do Rio acompanha de perto os desdobramentos no STF e trará plantões em tempo real assim que as novas ordens de prisão e busca e apreensão forem emitidas na capital e no interior do estado.