
É revoltante. É doloroso. É impossível ler o nome de Laís Oliveira Gomes Pereira, de apenas 24 anos, sem sentir indignação. Executada com um tiro na nuca enquanto empurrava o carrinho do filho de 1 ano e 8 meses, Laís virou símbolo da barbárie que insiste em atravessar o cotidiano da Zona Oeste — uma tragédia que poderia ter sido evitada, mas que se repete diante de uma sociedade que parece anestesiada.
Erick Santos Lasnor, de 30 anos, se apresentou à Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). É acusado de envolvimento na morte de Laís. A Justiça decretou sua prisão temporária por 30 dias, enquanto as investigações tentam encontrar o segundo suspeito e, principalmente, entender o motivo — se é que há motivo que justifique tamanha covardia.
Mas, convenhamos: entender a “motivação” parece pouco diante da brutalidade do ato. O que se passa na cabeça de alguém capaz de atirar contra uma mãe indefesa, em plena luz do dia, na Travessa Santa Vitória, em Sepetiba? Laís tinha acabado de deixar a filha mais velha, de 4 anos, na escola. Voltava para casa, empurrando o carrinho do caçula — que, por milagre, não foi atingido.
O caso não é apenas sobre um crime. É sobre abandono. Sobre a ausência do Estado, sobre a falta de segurança e sobre o medo constante que assombra moradores da Zona Oeste. Quantas “Travessas Santa Vitória” ainda precisam manchar de sangue para que algo mude?
Enquanto a investigação segue, a vida de uma família foi despedaçada. Duas crianças crescerão sem a mãe. E nós, como sociedade, seguimos naturalizando o inaceitável. A prisão de um suspeito não devolve a vida de Laís, nem a sensação de segurança perdida em Sepetiba — mas é um começo. Um começo que precisa ser seguido de justiça. Justiça de verdade, não só manchete.
Porque o que aconteceu com Laís não é um caso isolado. É o retrato cruel de um Rio que ainda não aprendeu a proteger suas mulheres.