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Flávio Bolsonaro pede anulação da eleição após derrota para Lula

Após perder o segundo turno para Lula, Flávio Bolsonaro criticou a extensão da votação até as 19h e anunciou que pretende pedir a anulação da eleição.

Digleison Silva
Por: Digleison Silva
25/10/2026 às 22h32
Flávio Bolsonaro pede anulação da eleição após derrota para Lula
Foto: Reprodução

Derrotado no segundo turno da eleição presidencial deste domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que pretende pedir a anulação da eleição e disse não reconhecer o resultado que garantiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Em pronunciamento após a definição matemática da disputa, Flávio questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou por duas horas o período de votação diante de relatos de dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar às urnas.

“O que aconteceu no dia de hoje não foi algo normal. Foi algo inaceitável. Pela primeira vez na história um ministro do STF dá uma canetada e muda a regra do jogo”, declarou Flávio. O candidato também afirmou considerar “impossível reconhecer o resultado” e anunciou que buscará a anulação do pleito.

A contestação ocorre após Lula conquistar matematicamente a reeleição. Com 99,99% das seções totalizadas por volta das 22h, o petista tinha aproximadamente 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio, segundo dados da totalização do TSE reproduzidos em tempo real.

Campanha de Flávio também pediu extensão da votação

Um ponto que passou a fazer parte da discussão após o pronunciamento é que a própria campanha de Flávio havia recorrido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), durante a tarde deste domingo, para pedir que eleitores tivessem mais duas horas para votar em localidades atingidas pelas fortes chuvas.

Segundo a Agência Brasil, o pedido abrangia municípios de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A defesa do candidato alegou que chuvas, alagamentos, falta de energia e interdições dificultavam o deslocamento de eleitores e solicitou que o período fosse ampliado até as 19h.

A solicitação de Flávio tinha abrangência diferente daquela apresentada pela campanha de Lula. Enquanto o PL buscava a ampliação em localidades afetadas por eventos climáticos, a coligação do presidente pediu a extensão nacional alegando problemas no transporte coletivo em diferentes estados.

Horas depois, Zanin acolheu o pedido de prorrogação apresentado pela coligação de Lula e determinou inicialmente a extensão do horário até as 19h. A decisão provocou dúvidas operacionais porque parte das seções já havia encerrado normalmente a votação às 17h.

TSE esclareceu que urnas encerradas não seriam reabertas

Após a decisão do STF, o Tribunal Superior Eleitoral publicou um esclarecimento informando que a votação continuaria somente nos locais em que ainda não havia sido encerrada às 17h.

Isso significa que seções que já tinham fechado a urna e concluído a votação não foram reabertas para receber novos eleitores. O TSE também suspendeu temporariamente a totalização e a divulgação dos resultados, retomadas depois das 19h.

Pelo calendário original das Eleições 2026, o horário estabelecido para o segundo turno era das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, ressalvado o direito de votar de quem já estivesse na fila no momento do encerramento.

Flávio fala em quebra de isonomia

Durante o pronunciamento, Flávio argumentou que a forma como a prorrogação foi aplicada teria criado tratamento diferente entre eleitores.

“Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diferentes estados. Eu nunca vou saber em estados que as urnas não foram reabertas quantos votos eu poderia ter”, afirmou.

A declaração expressa o argumento político e jurídico apresentado pelo candidato. Até o momento, porém, não há decisão judicial anulando a eleição nem determinação que suspenda o resultado divulgado pela Justiça Eleitoral.

Eventual pedido de anulação terá de ser formalmente apresentado e analisado pelas autoridades competentes. A alegação de irregularidade, por si só, não modifica o resultado das urnas.

Lula conseguiu virar resultado do primeiro turno

A vitória de Lula representou uma reversão do resultado registrado três semanas antes.

No primeiro turno, Flávio havia terminado na liderança com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.

No segundo turno, o cenário se inverteu. Com a eleição matematicamente definida, Lula alcançou cerca de 51,78%, enquanto Flávio ficou próximo de 48,22%, numa diferença superior a quatro milhões de votos.

Foi a primeira vez, desde a adoção do sistema de dois turnos para presidente em 1989, que o candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu reverter o resultado na etapa decisiva.

Pedido de anulação abre novo capítulo após a eleição

A fala de Flávio ocorre poucas horas depois da confirmação matemática da vitória de Lula e coloca o processo eleitoral no centro de uma possível nova disputa judicial.

O ponto central de eventual questionamento deverá ser a extensão excepcional do horário de votação determinada pelo STF e seus efeitos sobre o princípio de igualdade entre os eleitores.

Ao mesmo tempo, a análise jurídica terá de considerar que as duas campanhas haviam solicitado algum tipo de prorrogação ao longo do domingo, embora com abrangências e justificativas diferentes.

Também deverá ser considerado o esclarecimento oficial do TSE de que as seções onde a votação já havia sido encerrada não foram reabertas após a determinação do Supremo.

Até que haja uma medida formal da campanha e uma decisão da Justiça, permanece válido o resultado da totalização que apontou Lula reeleito presidente da República.

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