
A Justiça do Rio aceitou a denúncia contra o rapper Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, por tentativa de homicídio qualificado. A decisão, assinada pela juíza Tula Correa de Mello, também envolve Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira, amigo do cantor.
Segundo a magistrada, ambos assumiram o risco de matar o delegado Moysés Santana e o policial civil Alexandre Ferraz ao lançarem pedras da janela de um imóvel com quatro metros e meio de altura. Uma perícia confirmou que uma das pedras atingiu o solo com força suficiente para provocar fratura craniana e possível morte instantânea.
O episódio aconteceu na madrugada de 22 de julho, durante uma operação no Joá, Zona Oeste do Rio. A Polícia Civil cumpria mandado de busca e apreensão contra um adolescente conhecido como “Menor Piu”, que estava na casa do artista. O jovem conseguiu fugir, mas se entregou no dia seguinte.
Apontado como segurança de um dos chefes do Comando Vermelho, o menor é investigado por roubo, falsidade ideológica e associação ao tráfico. Após ter a semiliberdade mantida, ele apresentou um atestado médico falso para sair da unidade onde cumpria medida socioeducativa.
O documento teria sido emitido por uma médica da Clínica da Família Felippe Cardoso, na Penha, mas a profissional não trabalha no local, e o adolescente sequer possui cadastro no sistema da unidade.
Em imagens divulgadas pela polícia, “Menor Piu” aparece ao lado de Oruam no momento em que o cantor arremessa pedras contra os agentes e profere ameaças. O jovem também já havia usado outro atestado falso em maio, não retornando à unidade em Duque de Caxias.
O histórico do menor inclui envolvimento direto no roubo de veículos, celulares e joias, em novembro do ano passado, com troca de tiros contra policiais militares.