
O calendário aponta para o Carnaval, muitos ainda estão em clima de festa, curtindo com seus amigos ou com seus familiares, nas ruas ainda teremos alguns blocos e na avenida desfile das campeãs.
Já nas redes sociais infelizmente uma perda de um jovem negro que descreve seus últimos momentos pela falta de respeito do outro sobre a cor da sua pele em seu momento de comemoração e alegria que foi atravessada pelo desrespeito por uma pessoa branca.
Para a população negra, historicamente, a festa e o batuque sempre foram territórios de resistência e cura.
No entanto, existe duas camadas sobre sobreviver nela, a camada invisível que atravessa esses momentos de comemoração a saúde mental do corpo negro em meio à multidão e a camada visível que é a falta de respeito sobre a cor da pele o racismo, que retorna muitas das vezes para invisível causando dor e sofrimento interno diante da vivência.
Como assistente social que transito entre a saúde mental e o ambiente hospitalar e também sou uma mulher negra, observo que a alegria negra é, muitas vezes, vigiada. O que deveria ser um momento de descarga emocional e celebração pode se tornar um gatilho de ansiedade e estresse.
A alegria não é a ausência de problemas, mas a capacidade de sentir-se vivo e presente e seja em qualquer espaço aonde queremos estar e deve ser respeitada.
Para quem vive o peso do racismo estrutural o fato impacto sobre nossos corpos. Agora devemos lutar pelo direito a alegria também? Pois não é simplesmente deixar que nada abale seu psicológico, é sobre comemorar e ser feliz entre todas as raças e diferenças.
A felicidade do negro é quase...