16°C 25°C
Rio de Janeiro, RJ
Publicidade

Março, mês da mulher: entre homenagens, alertas e transformações

Porque, enquanto muitas mensagens exaltam conquistas, os dados mostram que ainda há muito a enfrentar

Izabela Silva
Por: Izabela Silva
08/03/2026 às 19h24
Março, mês da mulher: entre homenagens, alertas e transformações
Foto: Reprodução

Em março, celebramos e homenageamos o Dia Internacional da Mulher, lembrado em 8 de março. Mas este também é um mês que convida à pausa, à escuta e à reflexão. Porque, enquanto muitas mensagens exaltam conquistas, os dados mostram que ainda há muito a enfrentar.

Continua após a publicidade

No Brasil, em 2023, foram registrados 3.903 homicídios de mulheres, o equivalente a mais de 10 mortes por dia. Já a 5ª edição da pesquisa Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil, divulgada em 2025 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontou que 37,5% das brasileiras relataram ter sofrido algum tipo de violência nos 12 meses anteriores. Isso significa que milhões de mulheres ainda convivem, diariamente, com o medo, a vulnerabilidade e o silêncio.

E os desafios não se restringem à segurança. No mercado de trabalho, as desigualdades seguem presentes, muitas vezes de forma menos visível, mas igualmente estruturante. No 1º semestre de 2024, o salário mediano das mulheres equivalia a 90,5% do recebido pelos homens, enquanto o salário médio correspondia a 70,8%. Os números revelam que, mesmo quando há presença, ainda não há igualdade plena em reconhecimento, remuneração e oportunidade.

Continua após a publicidade

Quando olhamos para os espaços de decisão, o cenário também exige atenção. Dados do Ministério do Trabalho mostram que a participação feminina entre diretoras e gerentes no Brasil ficou entre 37% e 40% no período de 2012 a 2024. Houve avanço, mas a sub-representação em cargos de liderança continua evidente.

A esse contexto somam-se formas mais silenciosas de exclusão, como o etarismo, que impacta muitas mulheres ao longo da trajetória profissional e também na forma como são percebidas e valorizadas socialmente. Em outras palavras, para muitas mulheres, não basta provar competência: é preciso, repetidas vezes, reafirmar valor em um ambiente que ainda impõe filtros de gênero, idade e aparência. Essa é uma barreira menos mensurável em números únicos, mas muito concreta na experiência cotidiana.

Continua após a publicidade

Ainda assim, há movimento. E há avanço. Cada mulher que ocupa um espaço, assume uma posição estratégica, lidera uma equipe ou rompe uma barreira invisível abre caminho para muitas outras. É assim que as mudanças acontecem: não apenas nos grandes marcos, mas também nas presenças que, pouco a pouco, deixam de ser exceção e passam a redesenhar o que parecia imutável. 

Por isso, falar sobre o mês da mulher não deve ser apenas repetir homenagens. Deve ser também reconhecer urgências, nomear desigualdades e ampliar consciências. Celebrar é importante. Mas transformar é indispensável.

Que março siga sendo, sim, um tempo de reconhecimento. Mas que seja, acima de tudo, um convite permanente à reflexão, à responsabilidade coletiva e à construção de um futuro em que mulheres não precisem apenas resistir para existir, trabalhar, liderar e viver com dignidade.

Fontes:
Atlas da Violência 2025, Ipea.
Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil (5ª edição, 2025), Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Relatório de Transparência e Igualdade Salarial de Mulheres e Homens, 1º semestre de 2024, Ministério do Trabalho e Emprego.
Boletim Mulheres no Mercado de Trabalho (2025), Ministério do Trabalho e Emprego

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.