
Recentemente, o portal edorio.com destacou o aumento da violência em Santa Cruz. Agora, os dados apontam que as principais vítimas são mulheres, e os números continuam subindo.
De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), o número de casos de assédio sexual cresceu significativamente na área do 27º BPM, responsável por Santa Cruz.
Entre janeiro e junho de 2025, foram registrados 15 casos de assédio, oito a mais do que no mesmo período de 2024. Seis ocorreram entre Santa Cruz e Paciência.
O 27º BPM também cobre outros bairros da Zona Oeste, como Sepetiba, Guaratiba e Pedra de Guaratiba, o que reforça a abrangência dos dados.
Outro dado preocupante é o de violação de domicílio. Foram 90 registros no primeiro semestre deste ano, contra 45 no mesmo período do ano anterior.
Metade dos casos se concentrou em Santa Cruz e Paciência. O número revela um aumento de 100% e escancara a sensação de insegurança vivida pelas mulheres.
O crime de difamação, quando há divulgação de fato ofensivo sem imputação de crime, também cresceu na região.
De janeiro a junho de 2025, foram 152 ocorrências, o que representa uma alta de 63,4% em relação a 2024. Santa Cruz e Paciência concentram 107 desses registros.
Nos primeiros seis meses de 2025, a área do 27º BPM registrou quatro feminicídios. Dois deles aconteceram em Santa Cruz ou Paciência.
O número é o mesmo registrado entre janeiro e junho do ano anterior, mostrando que a violência letal contra mulheres permanece estável, porém alarmante.
Diante dos dados, a OAB-RJ anunciou que solicitará ao Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) e ao Governo do Estado a criação de:
Um Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher;
Uma nova Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) no bairro.
A justificativa é simples: Santa Cruz concentra os casos mais graves da Zona Oeste e não possui estrutura específica de atendimento.
A subseção da OAB em Santa Cruz elaborou um dossiê técnico que aponta dados logísticos e operacionais para embasar o pedido. O documento revela que:
Santa Cruz tem cerca de 250 mil habitantes, sendo o segundo bairro mais populoso do Rio;
A Deam mais próxima fica a 25 km de distância, em Guaratiba;
O Juizado mais próximo está no Fórum de Bangu, a cerca de 30 km do bairro;
Em maio, o 27º BPM liderou os acionamentos por violência doméstica na Zona Oeste, com 273 registros;
Em casos de lesão corporal e violência psicológica, o batalhão ficou em segundo lugar no estado, com 380 ocorrências.
A OAB propõe que a nova Deam seja instalada em espaço ocioso da 36ª DP, já localizada em Santa Cruz.
Além disso, o Fórum Regional de Santa Cruz poderia receber o Juizado de Violência Doméstica, já que possui estrutura física adequada.
Outra proposta, considerada de baixo custo e rápida implementação, é a criação de um Núcleo Integrado de Atendimento à Mulher (Niam).
Fernanda Thiessen, presidente da OAB/Santa Cruz, reforçou que a luta não é institucional, mas sim um clamor da sociedade civil organizada.
“O Estado precisa estar presente onde a violência se manifesta com mais força, e infelizmente Santa Cruz é um desses territórios”, afirmou.
Em nota, a Polícia Civil informou que atua, por meio do Departamento-Geral de Polícia de Atendimento à Mulher (DGPAM), em investigações, prevenção e repressão a crimes contra mulheres.
Segundo a corporação, todas as delegacias, incluindo a 36ª DP, são capacitadas para realizar esse tipo de atendimento.
A orientação é que mulheres em situação de violência procurem a delegacia mais próxima para denunciar.
O Tribunal de Justiça foi procurado pela reportagem, mas ainda não respondeu aos questionamentos sobre a solicitação da OAB-RJ.
O espaço segue aberto para manifestação oficial.