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Violência contra mulheres cresce em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio

Levantamento do ISP revela aumento nos casos de assédio, feminicídio e difamação em Santa Cruz; OAB cobra novas estruturas de proteção às mulheres na Zona Oeste

Redação
Por: Redação
04/08/2025 às 23h57 Atualizada em 05/08/2025 às 23h12
Violência contra mulheres cresce em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio

Recentemente, o portal edorio.com destacou o aumento da violência em Santa Cruz. Agora, os dados apontam que as principais vítimas são mulheres, e os números continuam subindo.

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Casos de assédio sexual dobram na região

De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), o número de casos de assédio sexual cresceu significativamente na área do 27º BPM, responsável por Santa Cruz.

Entre janeiro e junho de 2025, foram registrados 15 casos de assédio, oito a mais do que no mesmo período de 2024. Seis ocorreram entre Santa Cruz e Paciência.

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O 27º BPM também cobre outros bairros da Zona Oeste, como Sepetiba, Guaratiba e Pedra de Guaratiba, o que reforça a abrangência dos dados.

Violação de domicílio cresce 100% em um ano

Outro dado preocupante é o de violação de domicílio. Foram 90 registros no primeiro semestre deste ano, contra 45 no mesmo período do ano anterior.

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Metade dos casos se concentrou em Santa Cruz e Paciência. O número revela um aumento de 100% e escancara a sensação de insegurança vivida pelas mulheres.

Difamação contra mulheres também dispara

O crime de difamação, quando há divulgação de fato ofensivo sem imputação de crime, também cresceu na região.

De janeiro a junho de 2025, foram 152 ocorrências, o que representa uma alta de 63,4% em relação a 2024. Santa Cruz e Paciência concentram 107 desses registros.

Região registra feminicídios no mesmo nível de 2024

Nos primeiros seis meses de 2025, a área do 27º BPM registrou quatro feminicídios. Dois deles aconteceram em Santa Cruz ou Paciência.

O número é o mesmo registrado entre janeiro e junho do ano anterior, mostrando que a violência letal contra mulheres permanece estável, porém alarmante.

OAB-RJ pede instalação de Juizado e nova Deam em Santa Cruz

Diante dos dados, a OAB-RJ anunciou que solicitará ao Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) e ao Governo do Estado a criação de:

  • Um Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher;

  • Uma nova Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) no bairro.

A justificativa é simples: Santa Cruz concentra os casos mais graves da Zona Oeste e não possui estrutura específica de atendimento.

Dossiê técnico revela falhas estruturais

A subseção da OAB em Santa Cruz elaborou um dossiê técnico que aponta dados logísticos e operacionais para embasar o pedido. O documento revela que:

  • Santa Cruz tem cerca de 250 mil habitantes, sendo o segundo bairro mais populoso do Rio;

  • A Deam mais próxima fica a 25 km de distância, em Guaratiba;

  • O Juizado mais próximo está no Fórum de Bangu, a cerca de 30 km do bairro;

  • Em maio, o 27º BPM liderou os acionamentos por violência doméstica na Zona Oeste, com 273 registros;

  • Em casos de lesão corporal e violência psicológica, o batalhão ficou em segundo lugar no estado, com 380 ocorrências.

Soluções viáveis para implantação dos equipamentos

A OAB propõe que a nova Deam seja instalada em espaço ocioso da 36ª DP, já localizada em Santa Cruz.

Além disso, o Fórum Regional de Santa Cruz poderia receber o Juizado de Violência Doméstica, já que possui estrutura física adequada.

Outra proposta, considerada de baixo custo e rápida implementação, é a criação de um Núcleo Integrado de Atendimento à Mulher (Niam).

“Santa Cruz não pode mais esperar”, diz presidente da OAB Santa Cruz

Fernanda Thiessen, presidente da OAB/Santa Cruz, reforçou que a luta não é institucional, mas sim um clamor da sociedade civil organizada.

O Estado precisa estar presente onde a violência se manifesta com mais força, e infelizmente Santa Cruz é um desses territórios”, afirmou.

Polícia Civil afirma atuar contra violência de gênero

Em nota, a Polícia Civil informou que atua, por meio do Departamento-Geral de Polícia de Atendimento à Mulher (DGPAM), em investigações, prevenção e repressão a crimes contra mulheres.

Segundo a corporação, todas as delegacias, incluindo a 36ª DP, são capacitadas para realizar esse tipo de atendimento.

A orientação é que mulheres em situação de violência procurem a delegacia mais próxima para denunciar.

Tribunal de Justiça do Rio ainda não se posicionou

O Tribunal de Justiça foi procurado pela reportagem, mas ainda não respondeu aos questionamentos sobre a solicitação da OAB-RJ.

O espaço segue aberto para manifestação oficial.

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