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Pix vs. Zelle: Entenda a polêmica que envolve Eduardo Bolsonaro e o futuro dos pagamentos no Brasil

Eduardo Bolsonaro sugere Zelle como alternativa ao Pix em negociações com os EUA. Entenda as diferenças técnicas, os custos e o que está em jogo para a economia

Digleison Silva
Por: Digleison Silva
04/06/2026 às 21h18 Atualizada em 04/06/2026 às 21h30
Pix vs. Zelle: Entenda a polêmica que envolve Eduardo Bolsonaro e o futuro dos pagamentos no Brasil
Canva Imagens

Uma declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro colocou os sistemas de pagamentos instantâneos no centro de um embate diplomático entre Brasil e Estados Unidos. Em entrevista à rádio TMC na última quarta-feira (3), o parlamentar sugeriu que o Pix — sistema criado pelo Banco Central do Brasil — poderia ser levado à "mesa de negociação" com o governo americano, citando o Zelle como uma alternativa semelhante disponível nos EUA.

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A fala ocorre em um momento de tensão: na última terça-feira (2), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) publicou um relatório criticando o modelo do Pix, alegando que ele prejudica a competitividade de empresas americanas no Brasil.

Pix vs. Zelle: Quais são as reais diferenças?

Embora ambos permitam transferências rápidas, as estruturas por trás do Pix e do Zelle são fundamentalmente diferentes em termos de alcance, custo e controle.

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Característica Pix (Brasil) Zelle (EUA)
Origem/Gestão Público (Banco Central do Brasil) Privado (Consórcio de grandes bancos)
Custo (Pessoa Física) Gratuito Geralmente gratuito
Acessibilidade Universal (qualquer banco ou fintech) Restrito a bancos parceiros do consórcio
Velocidade Instantâneo 24/7 Pode levar horas ou dias em alguns casos
Uso no Comércio Altamente integrado (QR Code/Lojas) Focado principalmente em P2P (pessoa para pessoa)
Soberania Infraestrutura nacional brasileira Infraestrutura privada de bancos americanos

Por que o Zelle é alvo de críticas?

Especialistas e usuários destacam que o Zelle, embora eficiente dentro do ecossistema bancário dos EUA, é mais limitado que o Pix. Ele não possui a mesma interoperabilidade (capacidade de falar com todos os sistemas) e não se tornou um padrão de pagamento em estabelecimentos físicos da mesma forma que o sistema brasileiro.

A polêmica da "Soberania Digital"

A sugestão de Eduardo Bolsonaro de usar o Pix como moeda de troca em negociações com o governo de Donald Trump gerou forte reação de especialistas em segurança digital.

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"Negociar a substituição ou flexibilização do Pix significa colocar informações estratégicas da nossa população na mão de infraestruturas estrangeiras", afirma a cientista política Isabela Rocha.

O argumento central dos críticos é que o Pix é uma infraestrutura pública, enquanto o Zelle é uma plataforma privada. Abrir mão da autonomia do sistema brasileiro poderia aumentar a dependência tecnológica do país em relação aos EUA.

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