
Uma declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro colocou os sistemas de pagamentos instantâneos no centro de um embate diplomático entre Brasil e Estados Unidos. Em entrevista à rádio TMC na última quarta-feira (3), o parlamentar sugeriu que o Pix — sistema criado pelo Banco Central do Brasil — poderia ser levado à "mesa de negociação" com o governo americano, citando o Zelle como uma alternativa semelhante disponível nos EUA.
A fala ocorre em um momento de tensão: na última terça-feira (2), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) publicou um relatório criticando o modelo do Pix, alegando que ele prejudica a competitividade de empresas americanas no Brasil.
Embora ambos permitam transferências rápidas, as estruturas por trás do Pix e do Zelle são fundamentalmente diferentes em termos de alcance, custo e controle.
| Característica | Pix (Brasil) | Zelle (EUA) |
| Origem/Gestão | Público (Banco Central do Brasil) | Privado (Consórcio de grandes bancos) |
| Custo (Pessoa Física) | Gratuito | Geralmente gratuito |
| Acessibilidade | Universal (qualquer banco ou fintech) | Restrito a bancos parceiros do consórcio |
| Velocidade | Instantâneo 24/7 | Pode levar horas ou dias em alguns casos |
| Uso no Comércio | Altamente integrado (QR Code/Lojas) | Focado principalmente em P2P (pessoa para pessoa) |
| Soberania | Infraestrutura nacional brasileira | Infraestrutura privada de bancos americanos |
Especialistas e usuários destacam que o Zelle, embora eficiente dentro do ecossistema bancário dos EUA, é mais limitado que o Pix. Ele não possui a mesma interoperabilidade (capacidade de falar com todos os sistemas) e não se tornou um padrão de pagamento em estabelecimentos físicos da mesma forma que o sistema brasileiro.
A sugestão de Eduardo Bolsonaro de usar o Pix como moeda de troca em negociações com o governo de Donald Trump gerou forte reação de especialistas em segurança digital.
"Negociar a substituição ou flexibilização do Pix significa colocar informações estratégicas da nossa população na mão de infraestruturas estrangeiras", afirma a cientista política Isabela Rocha.
O argumento central dos críticos é que o Pix é uma infraestrutura pública, enquanto o Zelle é uma plataforma privada. Abrir mão da autonomia do sistema brasileiro poderia aumentar a dependência tecnológica do país em relação aos EUA.