A assembleia dos rodoviários realizada na tarde desta terça (7) trouxe novos rumos para a crise do transporte público no Rio. Reunidos na sede do sindicato, os motoristas e cobradores decidiram manter o estado de greve — o que significa que as frotas continuam circulando normalmente, mas a categoria segue em alerta máximo para cruzar os braços a qualquer momento.
A grande novidade do encontro foi um recuo estratégico por parte dos trabalhadores. Na tentativa de fechar um acordo com as empresas, o sindicato aceitou reduzir a exigência de reajuste salarial de 17% para 12%.
Para tentar sensibilizar os empresários e o Tribunal, os rodoviários propuseram o parcelamento do índice pedido:
Imediato: Metade do reajuste (6%) seria aplicada logo após a assinatura do acordo;
Dezembro: A outra metade (6%) seria paga no fim do ano.
Essa redução no percentual foi a única concessão feita pela categoria durante a votação. A estratégia agora é levar este novo valor para a mesa de negociações da quarta audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que acontece nesta quarta (8), às 11h.
A flexibilização dos rodoviários tenta quebrar o forte impasse gerado na última segunda-feira (6), quando a terceira audiência terminou em completo fracasso. Na ocasião, o Rio Ônibus (sindicato patronal) ofereceu um aumento considerado "humilhante" pelas lideranças dos trabalhadores: subiu o índice de reajuste de 4,39% para 4,5% — uma diferença de apenas 0,11% em relação à proposta anterior.
Pela proposta das empresas, esses 4,5% também seriam aplicados sobre o valor da cesta básica. Os motoristas alegam que o valor não cobre as perdas inflacionárias e cobram melhorias urgentes na infraestrutura dos pontos finais, como instalação de banheiros e fornecimento de água potável.
O portal É do Rio acompanhará de perto a audiência decisiva no TRT nesta quarta-feira (8) e trará alertas imediatos caso haja risco real de os ônibus pararem na capital.