
Na madrugada desta terça-feira (2), a calçada da casa de Fernanda Santos, em Sepetiba, Zona Oeste do Rio, se tornou cenário de um nascimento inesperado.
A turismóloga de 41 anos, sem experiência na área da saúde, ajudou a vizinha Sandra Candido Costa, de 31 anos, a dar à luz Sandro, o quinto filho do casal.
“Meu pensamento foi apenas sair na rua e pedir o telefone de algum vizinho para ligar para a Cegonha. Quando saí, a própria vizinha me atendeu”, lembra Sandra.
Sem internet desde a tarde anterior e com dificuldade para contatar a central de partos, a mãe correu até a casa de Fernanda.
O marido, Sidney Apolinário, acompanhava o momento, mas por se locomover com muletas após um acidente de moto, não conseguiu ajudar no parto.
“Quando abri o portão, percebi que não havia mais tempo. A central dizia que levaria até 60 minutos para a equipe chegar, mas as dores dela só aumentavam. Ali entendi que a missão era minha”, relatou Fernanda.
Fernanda se ajoelhou e, com a ajuda do filho, trouxe toalhas e um travesseiro para apoiar a cabeça da vizinha em trabalho de parto.
Sandra relembra a sensação de urgência: “Eu falei para ela: ‘não vai dar tempo, está saindo, vai nascer’. Ela disse, espera um pouco, mas não consegui. Às 5h14, meu bebê já estava nas mãos da vizinha Fernanda.”
Fernanda conta que se emocionou com a experiência: “Jamais imaginei viver algo assim. Trabalho com idosos, sou formada em turismo, é completamente fora da minha realidade. Mas Deus me usou naquele instante”, declarou.
Poucos minutos depois, a equipe da Cegonha Carioca e o Corpo de Bombeiros chegaram. A enfermeira cortou o cordão umbilical e prestou os primeiros cuidados à mãe e ao bebê, que nasceu com quase 3 kg.
“Foi uma experiência inimaginável. Na noite anterior, às 17h, eu estava enterrando um amigo. Doze horas depois, estava recebendo a vida de um bebê em minhas mãos. O fim de um ciclo e o início de outro”, completou Fernanda.
O pequeno Sandro é o quinto filho de Sandra e Sidney, que já são pais de uma menina e três meninos. Mãe e bebê foram levados ao Hospital Municipal Pedro II, onde permanecem internados e passam bem.