
Muitas vezes, quando uma mulher negra fala com firmeza, expressa sua opinião ou se posiciona, ela é vista como “agressiva” ou “nervosa”. Mas isso não acontece por acaso; eu sei disso e tento sempre lembrar todo o processo histórico ou até mesmo me colocar no lugar do outro e buscar entender. Entre outras coisas, já até me questionei e, de fato, somente me sabotei. Essa forma de julgamento vem de ideias antigas e preconceituosas que ainda existem na sociedade. Estou aqui falando de vivência, não desmerecendo o fato de que, em outros posicionamentos, isso não venha a acontecer, porém, sob o meu ponto de vista, em ser uma mulher autêntica e intensa.
Desde muito tempo, a mulher negra foi colocada em estereótipos, e vale ressaltar, sim, injustos, como alguém forte demais, que aguenta tudo, ou alguém exagerada nas emoções. Esses rótulos fazem com que, até hoje, a forma como ela fala ou age seja mais criticada do que a de outras pessoas. Então, abordo aqui o conceito de interseccionalidade, criado por Kimberlé Crenshaw, que ajuda a entender isso. Ela mostra que o racismo e o machismo, juntos, afetam diretamente a vida das mulheres. Ou seja, elas enfrentam um tipo de preconceito que é diferente e mais complexo.
Por causa disso, muitas mulheres negras sentem que precisam tomar cuidado o tempo todo com a forma como falam, para não serem mal interpretadas. Esse esforço constante pode causar cansaço, estresse e até afetar a autoestima. A gente precisa parar e pensar: por que a fala firme de uma mulher negra incomoda tanto? Por que ela é julgada de forma diferente?
Mesmo com tudo isso, muitas mulheres negras continuam lutando por respeito e espaço, conquistas e lutas, cada uma com sua realidade e seu tempo. No fim das contas, falar com firmeza não é ser agressiva; ser intensa não é ser agressiva. É ter opinião, é se posicionar e é exercer o seu direito de ser ouvida.