
O ex-governador do Rio, Cláudio Castro, passará a atuar formalmente na estrutura interna do Partido Liberal (PL). Conforme confirmado por dirigentes da legenda, o político foi integrado ao quadro de funcionários da sigla e atuará diretamente nos bastidores e no planejamento estratégico das próximas campanhas eleitorais em território fluminense.
A contratação ocorre na mesma semana em que Castro anunciou oficialmente a desistência de disputar uma vaga no Senado Federal. Pelo novo cargo de assessoria, ele receberá um salário líquido mensal de R$ 27.834,95. O montante já foi incluído na folha de pagamento da legenda e, segundo as regras partidárias, será custeado com recursos do fundo partidário, verba pública federal destinada ao funcionamento e manutenção das agremiações políticas.
De acordo com informações apuradas pelo portal Metrópoles, o acordo de contratação foi selado há algumas semanas em reunião entre Castro e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Ao justificar o movimento, Valdemar declarou que o "partido precisa dele". O ex-governador, inclusive, já teve o primeiro vencimento depositado em conta.
Na nova função, Cláudio Castro ficará subordinado à direção nacional e regional do partido. A sua principal missão será atuar na coordenação política, utilizando sua experiência no Palácio Guanabara para fazer o meio de campo e a interlocução direta com prefeitos, vereadores e parlamentares fluminenses.
O objetivo central do PL é usar o trânsito do ex-governador no interior do estado para pavimentar e fortalecer a candidatura de Douglas Ruas ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, além de ampliar as bancadas da legenda na Assembleia Legislativa (Alerj) e na Câmara Federal.
A ida de Cláudio Castro para os bastidores partidários reflete uma mudança drástica em seu panorama político nos últimos meses. Embora tenha deixado o comando do Executivo estadual com índices positivos de aprovação popular e despontado no topo das pesquisas de intenção de voto para o Legislativo, o ex-governador sofreu sucessivos reveses jurídicos e políticos.
O primeiro desgaste ocorreu quando Castro não conseguiu viabilizar a eleição de seu aliado político para um mandato-tampão no governo. Impasses e questionamentos na Justiça sobre o formato da escolha resultaram na permanência do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto, como governador interino do estado.
Na sequência, o cenário se agravou com uma condenação proferida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que declarou a inelegibilidade de Castro. Paralelamente, o político passou a figurar como investigado pela Polícia Federal em inquéritos que apuram supostos esquemas de fraudes financeiras e favorecimento envolvendo o Banco Master e a Refit (antiga Refinaria de Manguinhos), ações que motivaram a execução de dois mandados de busca e apreensão contra ele.